Banksy: o vândalo genial que não se revela

Tecnologia e arte em ‘Acordo Global’
30 de outubro de 2019
Batom do Holocausto
14 de novembro de 2019
Exibir tudo

Banksy: o vândalo genial que não se revela

Steve Jobs. Nesta obra Banksy coloca Steve Jobs num campo de refugiados em uma série.

Todos querem um Banksy em seus muros mesmo aqueles políticos que odeiam pichação e pintam os muros de cinza. Banksy é uma celebridade anônima que não precisa se preocupar em ficar ‘famoso por 15 minutos uma vez na vida’. Ele aposta no anonimato para ser famoso, talvez, por uma grande jogada de marketing. Suas obras valem milhões e são transgressoras, críticas sobre ambiente, política e consumo.

Antes artista de rua provocador, que começou como pixador em Barton Hill, distrito de Bristol, na Inglaterra, para anos depois tornar-se um ícone internacional aceito até por aqueles que podem “tomar vinho em Paris, ricos, lindos e superiores”, como diz Bebeti do Amaral Gurgel, em seu livro Uivo dos Invisíveis. “Essas pessoas não se interessam por arte de rua porque para elas tudo o que não gera lucro não tem direito de existir”. Mas.. Banksy hoje dá lucro!

“Porque Banksy muda o jeito da gente pensar e ele tem um humor ácido e usa ironia e ironiza a própria arte e ironiza os críticos de arte e os donos das opiniões que pensam que sabem tudo sobre tudo e os próprios artistas e os museus e galerias”, escreve Bebeti no seu livro, que é incrível na pesquisa sobre a arte de rua, especialmente o ‘pixo’. Isso mesmo, com ‘ x’ . Vamos deixar para depois a explicação porque o livro vale uma matéria.

Genius or Vandal

Banksy: Genius or Vandal é o título da mais recente exposição de suas obras  e que tive o prazer de visitá-la em Lisboa. Maior prazer foi ver a serigrafia original da série “Menina com um balão”, semelhante à recentemente destruída pelo próprio artista em uma ação inédita na Sotheby’s, a leiloeira londrina.  Foi uma mostra realizada por colecionadores particulares e colaboração com a Lilley Fine Art/ Galeria de Arte Contemporânea.

Certamente que mostrar o trabalho de um grafiteiro não poderia ser em ambiente claro, em plena luz do dia. Já na entrada da mostra é possível perceber que o objetivo foi dar ao visitante a sensação de estar percorrendo as ruas escuras e observando os muros grafitados…
“Banksy adquiriu o status de um fenômeno e é um dos artistas mais brilhantes e importantes do nosso tempo. O seu trabalho é um desafio para o sistema, um protesto, uma marca extremamente bem construída, um mistério, uma desobediência à lei … queremos que cada visitante desta exposição seja capaz de resolver quem realmente é Banksy: um génio ou um hooligan? Um artista ou um empreendedor? Um provocador ou um rebelde? A nossa exposição tem como objetivo mostrar a profundidade do talento de Banksy, as suas múltiplas camadas e dimensões para que sejam os próprios visitantes quem pensam e quem decidem. O seu trabalho, sempre atual e muito completo, mergulha na alma de cada um de nós. Suponho que é por todas estas razoes que o considero um génio”, Alexander Nachkebiya, curador da exposição.

Entre as 70 criações que incluem obras originais, esculturas, instalações, vídeos e fotografias, difícil de dizer quais as que mais impressionam. Um dos temas mais comuns de Banksy é o consumo e suas consequências, pelo qual os valores da vida real são substituídos pelo enorme fluxo de informações de marketing daquilo que nos rodeia que não é de todo real.

Carrinhos. Serigrafia 2007

A política é outro tema preferido de Banksy. A política como forma de manipular a opinião consciência é tão desagradável como a violência e o consumismo.

“Não há nada mais perigoso no mundo do que alguém que quer tornar o mundo um lugar melhor”. Banksy.

Parlamento de macacos. Fotografia impressa em papel

da série Bomb Middle England. Serigrafia 2005

Macaca Rainha. Serigrafia

“Algumas pessoas tornam-se policiais porque querem fazer do mundo um lugar melhor. Algumas pessoas tornam-se vândalos porque querem um lugar com melhor aparência”. Banksy.

 

 

 

Comentários Facebook

comentarios

Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *