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Ai Weiwei: 'eu nasci radical'

Ai Weiwei: ‘eu nasci radical’

‘Vida’ é conversa musical sobre a trajetória de Puppa Santana
10 de maio de 2019

Ai Weiwei: ‘eu nasci radical’

Mutuofagia - 2018. Viagem do artista chinês ao Brasil

Pudera! AiWeiwei não podia nascer diferente. Antes mesmo de pertencer a este mundo, o seu código genético já estava sendo formatado pelo pai poeta e escritor Ai Qing, perseguido pelo poder, preso e condenado a limpar privadas em comunidades remotas da China.

O artista chinês, talvez o mais polêmico e ativista de todos os tempos, consegue traduzir seu inconformismo pelas injustiças sociais na mostra WeiWei – Raiz.

Imperdível! … No Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

Uma  exposição que faz o expectador perceber nas obras a insolência e indignação do artista em relação a restrição do Estado às liberdades individuais, à questão dos direitos humanos. Contudo, apesar de provocativas têm o toque refinado da tão peculiar China milenar:  a delicadeza e mensagens sutis.

A instalação Florescer representa esse antagonismo: o refinamento da porcelana em forma de flores para chamar atenção à injustiça. A obra é composta por 16 paineis de porcelana com milhares de delicadas flores, que remetem à atitude do artista quando teve seu passaporte confiscado pelas autoridades chinesas. Wewei colocava todos os dias um buquê de flores em sua bicicleta do lado de fora de seu estúdio. Ele fotografou as flores e compartilhou em mídias sociais. Seus apoiadores, por sua vez, compartilharam também com hastag #flowersforfreedom.

Forever Bicycles é uma instalação formada por 1254 bicicletas. O mais interessante é a transformação visual da obra a cada angulo de observação.

Sementes de Girassol confeccionadas artesanalmente uma por uma. O trabalho foi realizado por 1.600 artesãos, a maioria mulheres, em dois anos, na cidade Jingdezhen, famosa por seus fornos e por sua produção de porcelana imperial. Cada semente é única em seu formato, embora pareçam idênticas. A obra faz a conexão com a questão dos direitos humanos, o papel do indivíduo na sociedade em tempo de internet e o desaparecimento da história cultural e material chinesa.

Raiz

A sua raiz (radicalidade) foi traçada antes de nascer, na juventude do pai, poeta e escritor, um ativista também que jamais separou a arte da política. “Tudo é arte. Tudo é política”, defende o filho. Uma entrevista ao El Pais, em julho de 2018, Weiwei apresenta-se como uma pessoa tímida e que não lamenta a vida de oposição e dificuldades que teve.

 “Passar 45 anos na China me fez artista. Seu território e sua cultura me inspiram, assim como -as dificuldades, a alegria, a sabedoria e a estupidez do meu país”. Leia aqui

Refugiados

Depois que as autoridades chinesas devolveram seu passaporte, o artista mudou-se para Berlim e com isso ele aproximou-se das questões humanitárias da atualidade.Em dezembro de 2015, foi para ilha grega de Lesbos, que era uma das entradas dos refugiados na União Europeia. As pessoas dos países em guerra lançavam-se em perigosas viagens marítimas paradoxalmente em busca de uma vida com segurança.

Dessa experiência produziu um documentário Human Flow (2017) e inúmeras obras, incluindo a Lei da Viagem (Protótipo B). Um bote em PVC com 51 figuras.

“A liberdade diz respeito ao nosso direito de questionar tudo”.

Brasil

Weiwei está há anos viajando sem parar. Nos últimos dois anos já passou por 150 países e segundo ele, não tem o sentimento de pertencer a um lugar determinado. A sua passagem pelo Brasil rendeu alguns trabalhos. Entre eles, Obras de Juazeiro do Norte, uma série de esculturas em madeira com o estilo dos ex-votos que são oferecidos a santos de devoção como pagamento de promessas no interior brasileiro.

Wewei não só é radical como incansável transgressor do politicamente correto. A mostra Raiz deve ser revisitada, isto é, uma, duas, quantas vezes for necessário até que o observador consiga integrar a matéria que está ali exposta, aos conceitos propostos pelo artista.

“Eu não diria que eu me tornei mais radical: eu nasci radical”

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

2 Comentários

  1. Lunamar.Rodriguez disse:

    A obra “A Lei da Viagem” ,toca-me profundamente!
    Quanta dor, quantas perdas vivem esses refugiados que, lançam-se à morte buscando a VIDA! Nos primeiros capítulos de “Órfãos da Terra”, foi mostrada essa realidade…Muito triste! Parabéns pelo texto, Mari!

    • Mari Weigert disse:

      Obrigada Luna!
      Realmente é a obra mais contundente da mostra. Razão pela qual, nos recebe na entrada do ‘Olho’do MON. Também me comove muito quando me transporto ao fato. Quanta dor e ao mesmo ousadia de ir em busca de segurança, fugindo da guerra, e ironicamente percorrendo um trajeto mais perigoso que poderá encontrar com a morte!

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