Mulheres notáveis de Almodóvar em documentário sobre ditadura de Franco

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Mulheres notáveis de Almodóvar em documentário sobre ditadura de Franco

‘O Silêncio dos Outros’ é um filme “preventivo contra fascismo e os perigos de esquecer o passado”.  Premiado e necessário nesse momento em que os regimes totalitários estão começando a querer voltar. O papel de duas mulheres, Maria Martin, Ascensión Medieta são notáveis nesse emocionante documentário.

A produção é de Pedro Almodóvar que mostra as vítimas da ditadura de Franco, na Espanha, em busca de justiça. A cineasta espanhola Almudena Carraceno em parceria com o americano Robert Bahar (ambos diretores) passaram quase sete anos acompanhando a batalha na justiça em diversas frentes.

Uma luta sem prescrição, dos sobreviventes que, muitas vezes, são obrigados a viver na mesma rua do torturador, assim como de parentes próximos dos que foram mortos e jogados em valas comum.Estima-se que existam 120 mil pessoas desaparecidas, três mil jogadas em fossas coletivas e 30 mil recém-nascidos roubados de mães solteiras por razões ideológicas e morais.

Casal Carracedo e Bahar, Premio Goya, Espanha

Uma ferida que jamais cicatrizou dentro do território espanhol mesmo com o esforço e a imposição da Lei da Anistia e do Pacto do Esquecimento pelo governo, logo após a morte do ditador Francisco Franco. Uma jogada de mestre dos políticos e da monarquia que fecharam os olhos às atrocidades cometidas e permitiram a impunidade de torturadores como é o caso do Billy, El Ninõ.

Uma juíza que levou à frente o caso

A juíza argentina Maria Servini  (hoje com 82 anos) abriu o processo na Argentina e o julgou em tribunal internacional. Um intento pretendido pelo juiz Baltazar Garzón, célebre por ter levado Pinochet às grades, mas impedido em seu país pela Lei da Anistia e o Pacto do Esquecimento.

O documentário é imperdível e deve ser assistido pelos brasileiros de todas as idades. Mostra o grau de hipocrisia e a crueldade que pode chegar alguém que se diz ser humano.

É a própria banalização do mal, termo criado por Hannah Arendt , que apontou o paroxismo da violência perpetrada pelos governos totalitários e mostrou a insuficiência das teorias e categorias científicas, econômicas e políticas tradicionais para captar e explicar a novidade do que estava acontecendo. O domínio total é mais opressor que a escravidão e a tirania, é mais destruidor que a miséria econômica e o expansionismo territorial. O controle total pretende atingir e capturar os humanos; adota, como critério de legitimidade governamental, a redução dos homens a seres naturais. O recurso à categoria do mal é uma forma de tentar compreender o inexplicável e visa aproximar-se reflexivamente da primeira tentativa de constituição de uma forma de governo, no Ocidente, baseada na purificação e no extermínio dos seres humanos. Trata-se, assim, de pensar o mal nas sociedades secularizadas sem apelar ao teor teológico-religioso. Fonte: Revista Cult

 

 

 

 

 

 

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

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