Biblioteca Joanina é a mais bela entre as belas

Propósitos 2019
8 de janeiro de 2019
Jackson Pollock e Andy Warhol lado a lado em Roma
21 de janeiro de 2019
Show all

Êxtase é sensação inicial ao deparar-se com a beleza artística da Biblioteca Joanina, localizada dentro de Universidade de Coimbra, em Portugal. Para a palavra êxtase considera-se a  definição da Wikipedia, desprender-se subitamente, sair de si, elevar-se.

Por alguns minutos, qualquer pessoa que entrar nesse espaço magnífico pelo que reúne em sabedoria sentirá esse desprendimento. Mais ainda ao se dar conta que há trezentos anos existiam homens que amavam os livros também.

Elevará o espírito, certamente, no instante em que seu olhar estiver percorrendo os detalhes da mais genuína arte barroca ao seu entorno e envolvendo-se com a existência de 60 mil livros que ali existem, na maioria anteriores ao século XVIII e escritos grande parte em latim.

Eles estão organizados nas 72 estantes dispostas em dois andares, de madeiras douradas e policromadas ( de fundo verde ou vermelho), que cobrem as paredes das três salas da ‘Casa da Livraria’, como D.João V, o seu fundador a denominou. Daí o nome da Biblioteca ‘Joanina’. Ao fundo está o retrato pintado de D.João V.

Morcêgos

A Biblioteca Joanina tem 300 anos e foi executada pelo arquiteto Gaspar Ferreira, de Coimbra. Ninguém sabe quem foi o autor do projeto. O fato interessante é que a Biblioteca tem seus morcêgos de estimação. Por lá, eles são queridos e não temidos. A Biblioteca Joanina mantém-se por eles que comem os insetos (em especial as traças), preservando assim os livros numa relação simbiótica.

Os morcêgos da Joanina foram até citados na A Obsessão ao Fogo, de Umberco Eco.

Ouro do Brasil

O ouro utilizado na decoração vinha do Brasil. Os dourados Chinoiserie – pequenas pinturas decorativas feitas em folha de ouro – revestem quase todas as estantes. O trabalho é assinado por Manuel da Silva que realizou em 40 meses. Antonio Simões Ribeiro e Vicente Nunes foram contratados em Lisboa para realizar a decoração dos três tetos das salas. As pinturas são ilusionística, ou seja, que cria ilusão de ótica.

Cada afresco tem uma simbologia. A primeira revela a figura da Biblioteca e nas sancas quatro figuras femininas que representam os quatro continentes (África, Ásia, Europa e Ámerica) sugerindo a abertura à sabedoria proveniente de todas partes do mundo.  A legenda em latim significa “estas estantes ornam-se de livrinhos, felizes”.

O teto central o afresco refere-se a própria Universidade rodeada pelos atributos que devem nortear o exercício de sua missão: Honra, Virtude, Fortuna e Fama – e insistindo na cultura clássica como base do saber universal. Os medalhões periféricos representam os autores latinos, Virgílio, Ovídio, Sêneca e Cícero.

No teto da terceira sala a Universidade surge como síntese do saber universal. As principais áreas do saber da época, Teologia e Cânones, Direito e Leis, Ciências e Natureza para Medicina e por fim, Artes.

Parabéns ao povo português que preserva com tanto orgulho esse patrimônio cultural, histórico e artístico. Um verdadeiro tesouro para humanidade!

 

 

 

 

 

Comentários Facebook

comentarios

Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *