Descubra que existe magia no Natal

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Descubra que existe magia no Natal

Natividade, Josefa de Óbidos - 1650-60

Pensar no Natal é associar reunião de família e confraternização. Faz parte da nossa cultura ocidental. As luzes e o clima de meditação da festa máxima do cristianismo, aliada ao consumo, pode nem sempre ser um momento de alegria, sobretudo quando vivemos a perda recente de um ente querido. É nesse momento que o amor e a fé tornam-se os melhores antídotos.

Essa pequena introdução é para dar minha receita de como preencher o vazio de uma perda, num período em que se exalta a sensibilidade e a emoção. Também para falar que na arte da vida, atitudes singelas e aparentemente insignificantes despertam a magia do que existe por trás do Natal.

Quando minhas filhas ficaram sem o pai, a mais velha com 14 anos, a outra com 11 e a caçula com 6 anos, acreditei que jamais poderia celebrar natais semelhantes aos que vivemos juntos, com a família completa.

A magia é a criatividade!

Lembro, que entre tantos recursos que usei para amenizar a dor da perda no coração delas, um deles fez parte desse período do Natal e envolveu a minha menina do meio, Marcela, na época com 15 ou 16 anos, que hoje é ilustradora, designer gráfica. Isso porque além da falta, eu como mãe aprendi administrar as diversas fases de crescimento das filhas, mesmo trabalhando muito fora de casa, tentava estar sempre presente para perceber as dificuldades e crises existenciais normais na pré e adolescência.

fig4

Estimulei Marcela a ilustrar um livreto que reunisse os símbolos do Natal, pinheiro, coroa do advento, presépio, estrelas, entre outros. Eu faria o texto e ela os desenhos usando pela primeira vez os recursos do computador, que na época era artigo de luxo – cerca de 20 anos. A ideia era de usar a publicação nas reuniões familiares que fazíamos quatro domingos antes  do Natal, que era apenas desculpa para celebrar com alegria o nosso convívio.

fig2 Sem Título-1

E o livreto saiu e fez sucesso entre nós. Tornou-se referência para os ‘adventos’ familiares. Um jeito de dar sentido ao que usamos como enfeite ou visualizamos tanto nas ruas e nas vitrines. É claro que foi um livreto artesanal e nunca editado para publicação. Talvez um dia, numa nova versão…

Portanto, aqui vale repetir o que o médico amigo disse o ano passado. “O verdadeiro natal é o do coração”. São atitudes nossas que mudam o olhar em relação aquilo que se define como verdade absoluta. Quem disse que não podemos ser felizes passando o Natal sozinho ou longe da família, mas comungando com a paz interior.

Isso mesmo Paz. Respire fundo e transcenda. Aproveite e pegue carona na luz que enfeita o mundo essa época.

Sinta-se uma estrela. Elas são inatingíveis, porém encantadoras. Para os antigos  astecas elas eram o alimento do sol. Para os maias, os olhos do céu. Para os incas, a representação de cada ser humano, projetada para perto do Criador.

Deixe esses significados mágicos tomarem conta de sua mente e a essência dessa luz fluir  através de você.

Vai descobrir que é  possível capturar  uma das coisas mais maravilhosas dessa ocasião tão particular:  o verdadeiro sentido da vida, o amor. Aí, com o coração mais leve e com a compreensão pelas agruras que passamos na nossa caminhada aqui na Terra, de júbilo pelos momentos felizes vividos durante a nossa jornada, entendemos o milagre da criação e nos tornamos verdadeiros seres humanos, com  erros e acertos, mas amorosos.

Então, a receita é manter este sentimento dentro de nosso coração e lançar para o  mundo um novo olhar, mais ampliado e compreensivo. Traga para dentro de seu coração todas as pessoas de quem gosta e o mundo, enfim.

Envolva-as nesse amor e transforme-se numa estrela luminosa que encontrou seu lugar mais perto do criador.

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

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