Fantasia criada por Pedro Américo no Grito do Ipiranga

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Fantasia criada por Pedro Américo no Grito do Ipiranga

 

“O Grito do Ipiranga – segundo Pedro Américo é  um livro  rápido de ler, curioso  e dirigido aos  interessados em saber mais sobre o que pensava o pintor  brasileiro no momento em que pincelou a mais conhecida  cena  sobre a independência do Brasil. A obra literária, que é assinada por Luiz Ernesto Wanke (pai) , Marcos Luiz e Sérgio Ricardo (filhos), com aval da  professora de História, Maria Marlene( mãe e esposa), foi elaborada a partir da análise de cartas inéditas de Pedro Américo dirigidas ao Barão Homem de Mello, encontradas  pelos autores  em um colecionador de antiguidades no Paraná.

img_0472As cartas são desabafos  e confidências feitas pelo pintor ao  amigo e mentor Homem de Mello( importante personagem da vida pública brasileira, no tempo de D.Pedro II) sobre as dificuldades e luta para obter o contrato que autorizava a obra e situações ocorridas até perto de sua morte. A diferença deste livro em relação a outro que trata do tema independência, o 1888, de Laurentino Gomes, no qual o texto  se refere a um Pedro Américo que justifica sua postura em relação à composição que fizera no quadro, defendendo-se das críticas, é de que o pintor por  intermédio das cartas inéditas mostra a intimidade de seus pensamentos em relação ao momento em que vivia.

Já na  apresentação do livro, a professora Maria Marlene cita a decepção que teve ao saber da história da dor de barriga do príncipe, no colegial e na universidade, quando descobriu três documentos descritivos de testemunhas do grito, que nenhum livro didático até ali tinha mencionado. Em seguida, conta que ouviu dos alunos adolescentes perguntas do gênero: “queria saber se o ‘o cara’ que tinha pintado a cena fazia parte da comitiva do príncipe. Também como ele tinha guardado todos os detalhes já que naquela época não existia fotografia”.

“O Grito do Ipiranga- segundo Pedro Américo” tem 104 páginas e nelas os autores citam pesquisas e trechos das cartas do pintor que compôs, cinco décadas depois, a pedido do imperador D.Pedro II,  o famoso quadro que hoje se encontra exposto no Museu Paulista. As cartas de Pedro Américo citam as negociações sobre o preço da obra, que no projeto do pintor seria um painel, além dos prós e contras da situação. As suas palavras revelam também que pouco estava interessado nos detalhes  dos fatos para compor a cena, situação que se revela num trecho da primeira carta quando  diz que visitou  o “domínio do Ipiranga” e não se demorou mais dias por se “sentir doente e estar sofrendo de saudades da família”.

O livro aborda vários outros aspectos do quadro,  como a ausência do padre Belchior na cena, que pelos documentos foi uma das pessoas mais importantes na história da independência pela participação ao lado de D.Pedro I no momento da decisão de separar Brasil de Portugal, detalhes sobre a postura altiva do imperador, a vestimenta, os animais,que não conferem com o descrito por padre Belchior,  o plágio, pelo fato de se assemelhar ao quadro de Eugène Delacroix, “Liberdade Guiando o Povo”, a ansiedade do pintor em voltar para Itália, onde vivia com a família, entre outros fatos que tornam a leitura de O Grito do Ipiranga, segundo Pedro Américo” deliciosa e fácil.

Luiz Ernesto Wanke foi professor da Universidade Estadual de Ponta-Grossa, Paraná, durante 25 anos e atualmente realiza pesquisas sobre história do Brasil junto com os filhos. A família já lançou outro livro sobre pesquisa histórica, “Brasil Chinês”, que  é resultado de 10 anos de trabalho e encontra-se à venda em todas as livrarias, em primeira edição quase esgotada, assim como O Grito do Ipiranga- Segundo Pedro Américo.

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

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