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Fadime (II)

O trem está correndo na sua direção…

Eu estou dentro dele…

Enquanto ele chega mais perto de você, Fadime

Eu vou para mais longe …

O trem, você e eu

estamos correndo em direções diferentes…

O trem está correndo numa velocidade cruel e arriscada

e arrasta até você no meu coração…

 

Ver ou não ver,Fadime

eis a questão!

Tocar em suas mãos, cabelos…

perder-me nas ruas do seu coração…

Porém, a indecisão é uma égua cujas crinas flutuam ao vento,

ela corre no meu sangue…

Ver ou não ver, Fadime!

Como morrer e não morrer,

eis a questão!

 

Você é meu nirvana, Fadime…

Eu me sinto em liberdade nas montanhas que existem dentro de você

Estou com saudade do seu rosto que nunca vi,

Das suas mãos e cabelos também…

Não posso esquecer seu cheiro…

Porém, como eu disse:

o que estou buscando não é você,

e é você…

Estou feliz,  Fadime…

No seu jardim de tristeza

Com minha melancolia

cor de cereja…

 

O trem de Paris para Strasbourg, 1995

 

Do livro “Os Reis e Os Palhaços”, Erol Anar

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Erol Anar
Erol Anar
Erol Anar nasceu em Havza na Turquia, estudou em cursos de Antropologia (durante dois anos), História da Arte (durante dois anos) e pintura (durante um ano) nas universidades de Istambul, Ancara e Samsun. Foi membro da Associação dos Escritores Turcos, trabalhou no Centro de Arte Contemporânea de Ancara onde foi orientador de leitura da obra de Dostoiévski e da literatura universal durante 10 anos. Ganhou prêmios. Escreveu em diversos jornais, vários artigos foram sobre arte, direitos humanos, literatura e a vida cotidiana. Ainda teve entrevistas veiculadas em jornais de diversos países e tem 15 livros publicados no idioma turco.2 Deles foram traduzidos para português.

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