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Apaixone-se

Ilustração: Ana Matsusaki

Você lembra da primeira vez que se apaixonou? E da segunda? E da terceira? Parece até loucura mas recontei outro dia, todas a vezes que me apaixonei e que, por alguma razão ou por outra não deu certo. Algumas, sinceramente tive que agradecer. Essa imagem que projetei de determinadas pessoas que não faziam mais que parte da minha imaginação.

Quantas vezes terminei dizendo em voz baixa “Graças a Deus ele não me quis” ou acabei pensando “que bom que me dei conta a tempo que ele não era pra mim”. Paixões e desilusões, muitas vezes,  parecem que vão de mãos dadas. Por que será?! Sei lá: mas parece que a vida foi sábia comigo; e parece que eu fui sábia com a vida. Não todas as vezes, mas algumas certamente agradeci minha sabedoria, outra tive que a gradecer ao “cosmos” por me livrar dessa.

Com desilusão ou sem,  a verdade é que se apaixonar é muito bom. Essa sensação de friozinho na barriga, essa felicidade que transcende os lábios ou o sorriso das pessoas. Esse brilho tão intenso nos olhos. As vezes buscava esse estado de plenitude o tempo todo. E a verdade é que a única maneira que encontrei foi me apaixonando pela vida. Não da vida no seu sentido mais lúdico, mas no viver em si. Viver no trabalho, na casa, nas viagens, nas conversas com os amigos. Me passo as vezes tardes rindo a toa, lembrando de coisas, lendo livros; deleitando-me com cada momento, seja ele aquela dormidinha da tarde, aquele domingo que a gente não tira o pijama, ou aquele chá que você prepara quando está sozinha em casa.

Apaixonei-me de repente, pela minha nova casa, pelos meus móveis, em colocar tudo no seu cantinho; apaixonei-me pelo meu gato, que todos os dias de manhã me espera acordar pra pedir carinho. Apaixonei-me pelas tardes perdidas (ou ganhas) com os meus amigos. Apaixonei-me por Milan Kundera e Marta Medeiros; pelo dia de sol e pelo dia de chuva; pela família que mesmo longe sinto que está tão perto; pelos meus irmãos, meus pais; meus tios; todos com seus defeitos e virtudes.

De repente descobri que a vida é finita, e resolvi me apaixonar por ela.

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Jaqueline D`Hipolito Dartora
Jaqueline D`Hipolito Dartora
Formada em Jornalismo na Universidade Santiago de Compostela, Jaqueline se identifica como escritora e "vinalogadora". Atualmente dedica-se ao marketing e a comunicação, promovendo eventos que conectam e promovem o diálogo entre o vinho e as artes em geral. Têm também vários projetos paralelos relacionados com as letras e o mundo do vinho. Promove formas mais sustentáveis de vida, sendo uma ativista do uso da bicicleta na cidade e de uma vida mais saudável, lenta e meditada. No seu tempo livre realiza trabalhos voluntários em Vinícolas ecológicas e (WWOOF) y recentemente criou o blog Vinálogos. Colabora com alguns blogs, lojas de vinho, e escreve contos, relatos, ensaios em inglês, português e espanhol.

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