Os geoglifos na arte dos Incas
23 de agosto de 2015
As esquinas protegidas de Roma
27 de agosto de 2015

Apaixone-se

Ilustração: Ana Matsusaki

Você lembra da primeira vez que se apaixonou? E da segunda? E da terceira? Parece até loucura mas recontei outro dia, todas a vezes que me apaixonei e que, por alguma razão ou por outra não deu certo. Algumas, sinceramente tive que agradecer. Essa imagem que projetei de determinadas pessoas que não faziam mais que parte da minha imaginação.

Quantas vezes terminei dizendo em voz baixa “Graças a Deus ele não me quis” ou acabei pensando “que bom que me dei conta a tempo que ele não era pra mim”. Paixões e desilusões, muitas vezes,  parecem que vão de mãos dadas. Por que será?! Sei lá: mas parece que a vida foi sábia comigo; e parece que eu fui sábia com a vida. Não todas as vezes, mas algumas certamente agradeci minha sabedoria, outra tive que a gradecer ao “cosmos” por me livrar dessa.

Com desilusão ou sem,  a verdade é que se apaixonar é muito bom. Essa sensação de friozinho na barriga, essa felicidade que transcende os lábios ou o sorriso das pessoas. Esse brilho tão intenso nos olhos. As vezes buscava esse estado de plenitude o tempo todo. E a verdade é que a única maneira que encontrei foi me apaixonando pela vida. Não da vida no seu sentido mais lúdico, mas no viver em si. Viver no trabalho, na casa, nas viagens, nas conversas com os amigos. Me passo as vezes tardes rindo a toa, lembrando de coisas, lendo livros; deleitando-me com cada momento, seja ele aquela dormidinha da tarde, aquele domingo que a gente não tira o pijama, ou aquele chá que você prepara quando está sozinha em casa.

Apaixonei-me de repente, pela minha nova casa, pelos meus móveis, em colocar tudo no seu cantinho; apaixonei-me pelo meu gato, que todos os dias de manhã me espera acordar pra pedir carinho. Apaixonei-me pelas tardes perdidas (ou ganhas) com os meus amigos. Apaixonei-me por Milan Kundera e Marta Medeiros; pelo dia de sol e pelo dia de chuva; pela família que mesmo longe sinto que está tão perto; pelos meus irmãos, meus pais; meus tios; todos com seus defeitos e virtudes.

De repente descobri que a vida é finita, e resolvi me apaixonar por ela.

Comentários Facebook

comentarios

Jaqueline D`Hipolito Dartora
Jaqueline D`Hipolito Dartora
Formada em Jornalismo na Universidade Santiago de Compostela. Jornalista por vocação, já viveu em muitos países (Brasil, Portugal, Inglaterra, Espanha), em busca de desafios. Atualmente trabalha no departamento de Marketing da Tyco Integrated Fire & Security (parte do grupo Johnson Controls) como Campaign & Sales Enablement Manager Continental Europe, apesar de que escrever é a sua verdadeira paixão. E o mundo do vinho também. Além disso, dedica-se a promover formas mais sustentáveis de vida, como o uso da bicicleta em Madri, colaborando com o blog "Muévete en Bici por Madrid". Colabora com alguns blogs e escreve contos em inglês, português e espanhol.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.