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O que é arte

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Entenda o que é arte

Para começar a entender o que é arte é preciso transportar-se no tempo e descobrir como a palavra surgiu na linguagem.

O homem da Antiguidade começou a utilizá-la a partir de um comportamento realizado no seu cotidiano. A palavra é o resultado, é a representação simbólica.

A etimologia ( estudo da origem da palavra) da palavra arte deriva da raiz ariana ar – que em sânscrito significa no sentido de tradução, adaptar, fazer, produzir. Esta raiz é encontrada no latim, ars, artis, artem. Portanto, originalmente a palavra arte significava algo como uma habilidade de produzir em alguma atividade.

Nas mudanças semânticas ou transladações sofridas, arte foi associada ao belo, à estética, sobretudo nas reproduções de fatos, personagens, paisagens. Surgiu da sensibilidade do ser humano ao expressar-se em cenas, religiosa, mitológica, de batalhas, ambientais, sobretudo para alimentar o ego de personagens famosos na história.

Segundo os dicionários…

“A capacidade que tem o homem de pôr em prática uma ideia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria”, explica o verbete Arte, no dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, que reserva um grande número de linhas para definir com clareza o seu significado.

O dicionário italiano Devoto-Oli tem uma definição menos abrangente e mais focada no significado. “Qualquer forma de atividade do homem como tentativa ou exaltação do seu talento inventivo ou de sua capacidade expressiva.

Ou melhor, arte é manifestação hábil do homem em qualquer de suas atividades, nos ofícios, na caça, na religião, na cozinha, nas belas artes – escultura, pintura, desenho, arquitetura, entre uma infinidade situações realizadas no cotidiano…

É a expressão criativa do homem. Arte é vida, vida é arte!

Mas o que é, então, o Belo?

O sentido do belo é muito individual. A beleza não tem padrão único e um valor universal. Pode variar de um país para outro, de pessoa a pessoa, cultura, idade, sexo, humor, entre outros fatores. O que pode ser belo para você, não é  para mim.

Cristina Costa, em seu livro Questões de Arte, escreve com muita propriedade sobre o assunto arte, analisando-a na sociedade, na vida do homem e esmiúça todos fatores que determinam o seu significado e o seu papel ao longo da história, associada ao belo e à vida moderna.

O  belo pode provocar prazer ao apreciar esteticamente o mundo que nos rodeia. Em contraponto, o belo não é o bonito. Segundo Cristina Costa, existe uma diferença. “A beleza vem da emoção que temos diante de uma obra de arte quando percebemos o que o artista tenta transmitir. A beleza vem também da sensação de conseguirmos ver o mundo da maneira que pensamos ter sido a intenção do artista.

O bonito é estabelecido a partir de critérios de aparência. Quase sempre é harmonioso, agradável, saudável e alegre. Não como a beleza que nos proporciona uma emoção profunda e sutil.

o belo na crítica de arte

A professora de crítica de arte da Sapienza Universidade de Roma, Maria Letizia Proietti, ao falar sobre a função do belo na crítica de arte encontrou argumentos nos estudos de Sigmund Freud. O belo se aproxima do “não sabido”

IMG_3298Para simplificar ou traduzir para os simples mortais, o que ela quis dizer é mais ou menos assim: “a pessoa pode se deparar todos os dias com uma imagem e nunca fazer caso disso”.

Um belo entardecer, por exemplo. Mas tem um momento em que entardecer lhe desperta atenção porque vai ao encontro de algo que existe dentro do seu inconsciente. “Vem ao seu encontro como se tivesse marcado hora”.

Não é uma ideia ou um modelo. É uma qualidade presente em certos objetos – sempre singulares – que nos são dados à percepção. Mikel Dufrenne, filósofo francês – fonte Estética e Filosofia.

Quando se trata de arte
Wind

Heather Phillipini – Wind Bienal de São Paulo/ 2016

Esse é um dos questionamentos mais antigos e tem acalorado debates entre intelectuais ligados as artes, tanto na antiguidade filósofos e historiadores, quanto no mundo de hoje. Erroneamente as pessoas confundem o agradável, o harmonioso à arte e tem normalmente uma resposta na ‘ponta da língua’ , sobretudo em arte contemporânea – mais conceitual –  indignados com a provocação da obra, “mas isso não é arte!

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Semana do Design no Museu Oscar Niemeyer

Sempre há algo de novo a dizer sobre isso, afirma a Cristina Costa em seu livro.

“Vivemos numa época em que as questões de estética – da natureza e dos valores do belo – estão na ordem do dia. Habitamos num mundo que vem trocando a paisagem natural por um cenário criado pelo homem, por onde circulam pessoas, produtos, informações e principalmente imagens.

E, se temos que conviver diariamente com essa produção infinita, melhor será aprendermos a avaliar essa paisagem, sua função, sua forma e seu conteúdo; e isso requer o uso da nossa sensibilidade estética. (…)

Há arte nos espaços pelos quais transitamos, nos locais onde estudamos ou trabalhamos e até nas embalagens dos produtos que consumimos. Há criação artística nas lojas, na programação do rádio, nos viadutos da cidade, nas vitrines das lojas e nos cartões de visita.  

Por isso, seja qual for a área em que atuemos ou pretendamos atuar, certamente, em algum momento, entraremos em contato com a arte, pois há muito ela não se restringe mais a determinados espaços ou a certas pessoas. Isso torna oportuno, e urgente o estudo das questões de arte”.

 

 

 

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

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