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Geografia afetiva dos mercados municipais

A geografia de um mercado, especialmente os municipais, revelam a identidade de um povo. Você tem ideia disso?

Faça um teste na próxima viagem. Ao chegar em qualquer cidade do teu roteiro turístico não deixe de visitar o mercado público,  ou percorra uma feira livre. Você irá vivenciar um experiência sensorial única e inesquecível!

São mais do que lugares de compra: são espaços onde a cidade se revela pelos aromas, pelas cores e pelas vozes.

Entre bancas de frutas reluzentes, temperos, ervas medicinais, tudo cuidadosamente empilhados e corredores tomados pelo cheiro de café fresco, peixe, queijo ou pão recém-saido forno, existe uma espécie de geografia afetiva da vida urbana.

Os mercados municipais ou feiras livres guardam essa beleza da abundância humana. São lugares onde o consumo deixa de ser automático e volta a ser experiência, escolhas e encontros. 

Gosto especialmente de visitar o Mercado Municipal de Curitiba. Uma gracinha. No meu caso, desenvolvo memórias afetivas com a gastronomia étnica que existe lá. Sensacional!

Toda vez que visito a cidade que vivi tantos anos, vou desgustar o Tempurá de shisô com tartar de atum. Sou viciada na folhinha crocante recheada pelo atum. É um sabor divino! O Fugii é especialista nesta entrada. 

Em tempo de pinhão a marca do Paraná está sempre presente. Os frutos do nosso imponente pinheiro enfeitam os corredores nas sacarias expostas. É uma fartura de pinhões fresquinhos colhidos na temporada – de abril a julho.

O Mercado Municipal de Curitiba agora remodelado é um encontro entre tradição e o cotidiano. Isso é evidente ao entrar nele!

 O colorido das hortaliças, das flores e das especiarias divide espaço com produtos vindos de diferentes culturas – ingredientes árabes, japoneses, italianos, ucranianos – refletindo a própria formação da cidade. Caminhar por ele é perceber como a gatronomia conta histórias de imigração, memória e identidade.

O Mercado Municipal de São Paulo é outro lugar imperdível. Se tiver digestão boa deve  experimentar o sanduíche de mortadela que tem mais recheio que pão, o pastel de bacalhau… hummm…

clique na foto e visite o Mercado de São Paulo

Essas quitutes convivem com empórios, doces, bacalhaus, ervas típicas de diferentes partes do mundo. É muito sensorial a visita a esse local. Talvez encontre ali um ingrediente desconhecido, um sabor de infância uma receita trazida de outro continente.

visite o site e conheça os melhores sanduiches de São Paulo

Por fim, caso o mercado municipal local seja muito pequeno, visite uma feira livre. Aqui em Natal existe a famosa feira do Alecrim. Não é só um lugar de compras, mas um organismo vivo, que pulsa em ritmo próprio: cheiro de coentro, vozes atravessadas, vendedores anunciando seus produtos. Tudo junto misturado ao calor da cidade e ao movimento humano.

visite a página e saiba mais sobre feiras brasileiras

As feiras e mercados acabam virando retratos humanos das cidades. Entre corredores apertados, pessoas com sacolas se batendo uma na outra e bancas coloridas, berros de vendedores anunciando peixes, frutas, hortaliças e suas promoções, existem uma espécie de poesia popular – barulhenta e cheia de vida!

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Saia de sua bolha digital. O mundo é vasto demais para caber em um algoritmo!

Não precisa abandoná-la! Só entenda como funciona a bolha e não permita que ela enxergue o mundo por você. Ter consciência disso é um gesto de liberdade!

A web –  ‘rede do tamanho do mundo’ ou ‘teia mundial de computadores’ têm inúmeras vantagens, mas precisamos entendê-la e ter consciência que vivemos dentro de  uma ‘vitrine invisível‘, muito poderosa na manipulação mental.

A cada busca, a cada clique, a internet nos observa e aprende sobre nós. Silenciosamente, aprende o que gostamos, o que tememos e em que acreditamos. A partir de nossas buscas a web começa nos devolver apenas aquilo que confirma quem somos. Certamente, dentro da proposta de marketing de cada tema, cujas postagens são constantes e quantitativas.

Imagem gerada por IA - também a abertura do artigo

Um lugar onde raramente somos contrariados e o mundo parece concordar conosco. Cuidado!

A ilusão mais perigosa da bolha digital é nos fazer acreditar que estamos bem informados, quando, na verdade, estamos apenas condicionados.

Precisamos aprender a testar, sair do fluxo automático e desconfiar do que chega fácil demais. Pensar criticamente não é rejeitar tudo – é antes, examinar, comparar e refletir. 

Sempre busquei não permanecer só no conforto da minha bolha.

 Porém, a dimensão da voracidade dos algoritmos tive esses dias quando fiz uma mudança radical nas minhas pesquisas e informações ao assistir um seriado chinês. Como gostei do trabalho fui buscar mais informações sobre o diretor, os atores e os lugares que foram gravadas as cenas. Um seriado que provavelmente está bombando, com infinitas postagens dos patrocinadores. Com isso, entrei na bolha digital dos seriados asiáticos, algo que nunca tinha feito.

‘Por Você’ é o nome no Brasil e Persuit of Jade é a denominação internacional desse seriado de época, envolvendo romance, guerras, intrigas, arte marcial e hábitos da China imperial. Foram 40 episódios (ufa…)envolventes, bem produzido, com paisagens maravilhosas e artistas chineses belissimos.

Pelas minhas pesquisas fui bombardeada de uma forma inimaginável, com informações, fofocas que se relcionavam ao seriado, assim como de  outros seriados asiáticos. Viajei online infinitas vezes aos lugares mais interessantes do território chinês, acompanhei todas performances do ator principal e da atriz. Um tiroteio de informações que as dorameiras (vejam só tem isso), ou melhor, as influencers apaixonadas por séries asiáticas,  esmiuçam os temas dessas séries, desde futilidades até costumes e cultura,com muita bobagens. 

Imagem retirada da internet. Para divulgação do seriado.

De repente, senti um vazio total de minhas informações habituais sobre política, ambiente, cultura e arte.   Cadê elas?  

Os  algoritmos não deram chances…… Na minha linha do tempo foram banidos os meus costumeiros interesses, considerando que as postagens sobre os temas que eu seguia em certos perfis, eram em menos quantidade nas redes sociais. O que eu fiz? Comecei a procurar a me inserir de novo na antiga bolha..

Porém, percebi o quanto os algoritmos respondem à quantidade e aos interesses dentro do meio digital, principalmente quanto a  aposta em bombar é com dinheiro. 

Portanto, a sugestão é de diversificar o campo de ação online e tentar sair, de tempos em tempos,  da zona de conforto e  buscar outras vozes, outros ângulos, até mesmo aquilo que causa desconforto. 

Diante disso, fica aqui a lição sobre como se libertar das bolhas digitais. Isso porque as bolhas mais interessantes são as lúdicas – “Bolhas de Sabão” – que encantam as crianças.  Bolhas que inspiram artistas como a instalação do artista baiano Vinicius S.A. -Lágrimas de São Pedro. 

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Saíra de Sete Cores que nunca mais verei! Fotos que marcam o fim de um tempo

A Saíra de Sete Cores perdeu seu 'habitat' natural em Itapoá/SC depois da expansão imobiliária. A foto é um testemunho de um tempo que não volta mais!

Aimagem do pássaro de Sete Cores foi captada em 2010 e faz parte do meu arquivo pessoal de fotos que jamais esquecerei. 

A fotografia tem esse status de documentar um tempo e eternizar a poética da vida.  

Um flagrante feito por mim, que numa fração de segundos, no intervalo invisível entre o que acontece e o que já passou, registrou uma preciosidade. A imagem nasceu a partir de um olhar distraído na sacada da casa de uma amiga e no descuido do tempo ouvimos a algazarra da passarada, o que me fez direcionar as lentes da minha Cannon naqueles pássaros lindos, coloridos, aproveitando-se da fartura da natureza na palmeira vizinha. Isso já faz tanto tempo, vejam só que se passaram  26 anos e parece que foi ontem. Os pássaros não sei por onde andam e a palmeira não existe mais. 

Estas  fotos, assim como outras deste arquivo precioso, carrego dentro do meu coração porque foi captada num instante, sem pedir licença para simplesmente acontecer como a vida sem ensaio.

Por isso, a fotografia não congela só um momento – ela o prolonga.

Uma forma criativa e inusitada de vender brincos extravagentes e coloridos. A foto captada há anos na estação Termini de Roma, quando era permitido comércio ambulante e na maioria feito por indianos. O vendedor de brincos, sem dúvida, esbanjava criatividade para promover seu produto. 

Esse flagrante das senhorinhas provavelmente gêmeas ,não pode ser esquecido. Em frente ao Pathernon, Roma -também há muito tempo atrás. Usei essa foto para ilustrar uma história que parece um conto da carochinha, mas foi real. 

Essa casinha portuguesa provavelmente está entre os casos de proprietários que não tinham herdeiros. Abandonada e espremida entre um viaduto de linha férrea, rodovia e o burburinho de Lisboa, nas imediações do Cais do Sodré. Um charme de imagem principalmente porque as flores, sem pudores, tomaram conta das paredes envelhecidas.

Ahhh…. Esse por do sol e o solitário pinheiro do Paraná dando um toque poético e nostalgico na foto. Cliquei para guardar a sete chaves. Se mantém imponente na frente do apartamento que vivi em Curitiba. Árvore exuberante, a mais bela entre as belas, faz parte de um bioma que corre o risco de extinção.

É curioso pensar que o eterno, muitas vezes nasce do acaso. Um instante apenas nos atrai e nesta fração de segundos eternizamos a imagem, como se ela nos escolhecesse e nós a ela. Na verdade, essa atração irrestível a algo que nos capta por segundos, é porque reconhecemos também que somos impermanentes, fragéis e irreptíveis, tentando de alguma forma permanecer no tempo. A fotografia encanta porque faz o que é passageiro ganhar corpo, memória e permanência.

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Pietà e a perfeição divina da morte e da vida

 

Uma das mais famosas obras de Michelangelo Buonarroti (1475-1564), Pietà, que se encontra na Basílica de São Pedro, no Vaticano, representa a verdadeira misericórdia de uma mãe. Na magnífica obra de mármore de Carraro, o mestre italiano esculpiu em cada ângulo da pedra, não a dor e o tormento de uma mãe ao ver o seu filho ser torturado e morto injustamente, mas a vida e a morte, representando a perfeição divina.

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Isso explica a forma piramidal da base da escultura subindo em espiral até a cabeça da Virgem Maria. As dobras das vestes de Maria são muito abundantes e tem o objetivo de ressaltar a beleza e o refinamento das formas do corpo nu de Cristo. A perfeição do vulto de Nossa Senhora supera as características de uma imagem terrena e alcança a beleza ideal. Isso explica a juventude da fisionomia de Maria em contraste a idade de Jesus.

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Segundo estudiosos, a figura de Maria se assemelha a uma jovem de 16 anos para simbolizar a pureza. A beleza da fisionomia foi talhada no mármore com tal refinamento que está isenta de defeitos e dá à figura uma suprema dignidade. O sentimento de misericórdia definido por Michelangelo remonta de sua formação criativa em Florença, que é visível em toda a poética do mestre que começou no início dos anos 500 e perdurou por
toda a sua vida.

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A escultura Mãe e Filho foi esculpida logo após o artista ter produzido a imagem pagã e sensual de Baco. Pietá tem fortes detalhes anatômicos, principalmente no acabamento das pregas da veste, com efeitos translúcidos e ritmo monumental, em perfeição técnica deslumbrante. A faixa que se estende do peito da Virgem escrita em latim – “Michael Angelus Bonarotus Florent Faciebat – é prova da única obra assinada por Michelango.

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Segundo Giorgio Vasari (1511-1574), pintor que publicou uma obra sobre artistas de sua época, conta que quando o Michelangelo era indagado sobre a representação da juventude de Maria, ele respondia que a castidade mantinha as mulheres jovens. A virgindade de Nossa Senhora, a pureza da concepção de Deus, a espiritualidade são expressas de acordo com Michelangelo, mediante a corruptilidade da carne. Por isso, Pietá não caracteriza o hedonismo , beleza prazeirosa, ao contrário, representa o sentido mais profundo do neoplatonismo e classicismo florentino: a forma serena e equilibrada que pode acabar por questões espirituais – pureza e pecado.

 Informações úteis:

it.wikipedia.or

Fotos por Mari Weigert.