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Silvio Tendler contou histórias que o tempo e o poder tentaram esconder

Nossa homenagem ao cineasta Silvio Tendler que neste 12 de março faria 76 anos de vida terrena.

Sua memória viverá para sempre em seus filmes que contam a verdade que o tempo e o poder tentaram esconder. O amigo querido que tiver o prazer de conviver, pelo contato virtual, na mobilização realizada pelo coletivo Estados Gerais da Cultura, na luta pelo retorno do Ministérico da Cultura (MinC). Uma única vez vi Silvio, presencialmente, num encontro sobre cinema na Fundação Cultural de Curitiba.

Silvio Tendler era uma mente inquieta e criativa e nos deixou como legado documentários e filmes magistrais sobre questões políticas, sociais e ambientais. As fotos e frases, tomei a liberdade de utilizar as postagens de sua rede social no  Instagram da Calibancinema (veja mais)

Silvio Tendler acreditava que o cinema pode corrigir os silêncios da história oficial.

Foi um guardião da memória brasileira em filmes como Jango, Os anos de JK, Brizola, Marighella, a Bolsa ou a Vida, entre outros inúmeros, disponíveis no Caliban Cinema e Conteúdo – Youtube.

Em obras marcantes como Os anos JK e Jango, ele revisitou figuras e períodos decisivos da história política brasileira. Com isso, mostrou que um documentário pode ser também um ato de coragem. 

Não se tratava apenas de revisitar o passado, mas de reabrir perguntas que continuam ecoando no presente. Seus filmes fortalecem a ideia de que a memória é um direito do povo.

Neste dia 12 de março, sua ausência física nos deixa um grande vazio e muita saudades, porém suas obras continuam como um farol, iluminando o outro lado da história que espera para ser contada.

Tendler filmava com o coração de um humanista. Via na história não apenas datas e fatos, mas vidas, sonhos e conflitos que moldam uma nação. Não é por menos, que era conhecido como o cineasta dos sonhos interrompidos. 

Ao longo de décadas, Silvio Tendler construiu um cinema que não se contentava com a superfície da história. Ele buscava camadas mais profundas – aquelas, nas quais estão as perguntas que um país ainda precisa responder.

Os documentários de Silvio não são apenas informativos, mas provocadores porque nos estimulam a pensar sobre o Brasil e o comportamento da humanidade.  O filme Utopia e Barbárie é uma jóia preciosa no acervo de Silvio Tendler. É cinema obrigatório, atualissimo, que deve ser assistido por todos os brasileiros principalmente neste momento de caos que vive a humanidade. O link está aqui para assistir no Youtube.

Uma frase sua, memorável, que carrega um contéudo profundamente espiritual e nos inspira a desejar que siga criando e protegido pelos encantados. 

“Sigo protegido pelos encantados: Todos aqueles e aquelas que me fizeram sorrir e pensar”. Silvio Tendler/2023.

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Ziraldo fez do desenho uma ponte entre afeto e humor para adultos e crianças

Duvido! Isso mesmo, duvido que alguém nunca ouviu falar do "Menino Maluquinho" ou de Ziraldo(1932-2024).

Esse cartunista, chargista, escritor, poeta, cronista, desenhista, humorista, advogado, ufa….. foi gente pra caramba e criou tanto durante sua vida que não tenho espaço para contar tudo sobre ele, neste artigo que precisa de pouco texto porque as pessoas não gostam mais de ler textos longos ou não têm mais tempo. 

Creio que Ziraldo inspirou-se nele próprio para criar o Menino Maluquinho

 “Era uma vez, um menino que tinha o olho maior que a barriga, fogo no rabo e vento nos pés”

 Assim inicia a história que começou com a publicação de um livro, transformou-se numa série em quadrinhos para revista,  foi adaptado para TV e cinema.  O menino maluquinho é uma criança alegre, sapeca, cheio de imaginação, que adora aprontar e viver aventuras com os amigos e uma de suas manias é usar um panelão na cabeça. Inspira liberdade para as crianças e para adultos, sobretudo,  que precisam sempre estarem atentos para não esquecerem da criança que vive dentro de cada um.

 Por que Ziraldo está na nossa pauta? 

Pelo Mundo Zira que chegou a Natal, capital do Rio Grande do Norte, como primeiro roteiro no nordeste, no Complexo Cultural Rampa, até 26 de abril. Uma mostra, que confesso achei pequena e tímida, apesar de usar de tecnologia avançada e  promover a interação com os visitantes. Pequena e tímida  pela grandiosidade do papel de Ziraldo na arte e na imprensa brasileira. Porém, importante porque  cumpre um papel essencial: apresentar ao público um artista que acreditava no espírito da infância e na importância da imaginação como expansão da inteligência. 

Ziraldo não falava para as crianças, falava com elas. E talvez por isso tenha atravessado décadas sem perder a relevância e ser atual sempre…   Para se ter uma ideia, o Menino Maluquinho já está na maturidade. Tem 45 anos.

Ziraldo tinha, sem dúvida, o olho maior que a barriga, fogo no rabo e vento nos pés porque desenvolveu tanta atividade, jornalista, escritor, cartunista e desenhista premiado, homenageado e nunca parou de criar e se inspirar em sua longa vida – morreu em 2024 aos 91 anos.  Aliás, como paranaense devo citar que ele foi o criador da Família Folhas, um importante jogo de marketing utilizado pelo então prefeito Jaime Lerner para conquistar crianças e fazer  os pais separarem o lixo.

Na juventude foi um dos principais fundadores do Pasquim (1969) um jornal de humor crítico e inteligente como forma de resistência à ditadura militar. Chegou a ser preso em 1970, junto com os outros integrantes e mesmo assim, O Pasquim continou circulando. Enquanto os autores estavam presos, o jornal foi feito com material antigo, piadas internas e textos aparentemente sem sentido, só para provar que a censura não conseguiria calar o grupo. 

Ziraldo mostrou que rir também é uma forma de protestar. Por isso, o Ziraldo ‘adulto’, político e irreverente nasceu ali, em confronto direto com a ditadura.

O riso, em sua obra, nunca foi vazio. Sempre trouxe sentido, exemplo positivo e provocação saudável. Ao mesmo tempo em que divertia, convidava à empatia, ao diálogo e ao respeito.

Rever sua obra hoje é um gesto de reconhecimento, mas também de urgência. Em tempos de excesso de telas e pressa, seus desenhos lembram que a imaginação precisa de espaço — e que formar leitores, cidadãos e sonhadores começa com histórias contadas com verdade.

Ziraldo se eternizou porque desenhou mais do que personagens: desenhou o encanto das possibilidades.

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‘Carnaval na Vila de Ponta Negra preserva o DNA festivo e folclórico’

O carnaval na Vila de Ponta Negra, preserva sua história e tradicões culturais. O seu DNA!

A afirmação não é nossa. Sim, da Produtora e ativista da Cultura, Maria Marhé, que acompanha as rendeiras e os grupos de cultura no resgate da memória viva e pulsante dessa comunidade tão tradicional de Natal, no Rio Grande do Norte.

“O carnaval de raiz na Vila de Ponta Negra, em Natal, é um ecossistema à parte”,diz ela.

 “Enquanto a cidade se modernizava, a Vila preservou um DNA festivo e folclórico que remonta aos antigos pescadores e rendeiras, nos quais a folia não era apenas consumo, mas identidade”.  

O acompanhamento de Maria é tão envolvente para ela, que ao explicar seu ativismo nos leva a sentir a intensidade do que faz durante o tempo em que está com a comunidade. Vale vivenciar  essa emoção expressa no seu texto pleno de poética artística.

  História do Carnaval das Antigas

“Antigamente, o Carnaval da Vila era marcado pelo som das latas , pelo coco de roda, marchinhas e, principalmente, pelas figuras folclóricas que saíam das casas dos moradores. Não havia separação entre público e artista; a rua sempre foi o palco. O povo celebrava a sobrevivência e a fé, misturando o profano do Carnaval com a herança dos folguedos populares. Com o tempo, essa força tradicional encontrou novos fôlegos para não ser engolida pela “folia de abadá” e “paredes de som” com músicas que nada tem haver com Carnaval.  O protagonismo dessa resistência cultural hoje passa pelo Cordão Multicultural Burrinha Pintadinha e o Jaraguá. O grupo faz um trabalho vital de salvaguarda, inclusão das artes plástica em camisetas e material de divulgação”.

Aqui começa a história de resgate de uma memória, que envolve folguedos e brincadeiras, A burrinha pintadinha e o Jaraguá.

” Trouxeram de volta à cena o Jaraguá — criatura mítica do folclore potiguar que assusta e diverte os foliões — e a própria Burrinha, ícones que estavam adormecidos na memória dos mais velhos e fazem parte do Boi de reis”

 “Quando o Jaraguá avança sobre a multidão e espalha prosperidade e recebe donativos e a Burrinha Pintadinha dança, eles estão reescrevendo a história da Vila, garantindo que o progresso urbano não apague as pegadas de quem construiu esse lugar sobre a areia e o mar.”

“o Significado dos cordões, troças, blocos
​para o cronista ou o jornalista atento, o bloco na Vila de Ponta Negra não é apenas um agrupamento de pessoas. Ele é um território móvel.
​”O bloco representa a ocupação do espaço público pelo afeto

“O significado maior é o pertencimento. Cada estandarte que sobe a ladeira da Vila é um manifesto de que a cultura potiguar está viva, pulsante e, acima de tudo, é para todos.

CULTURA VIVA E PULSANTE!

Mestra Zefinha cantando a música da Burrinha no ensaio.

As fotos acima mostram as mestres rendeiras Arraia, Darlene e Denise fazendo a manutenção no Jaraguá. Portanto, para os moradores, pescadores e rendeiras da Vila de Ponta Negra, o carnaval de três dias é apenas um resumo de um trabalho dedicado durante o ano.

Então, ao final, todos concordam comigo que carnaval quando uma comunidade acolhe como manifestação cultural, acolhe também a imaginação, a diversidade e o brincar coletivo