As banhistas de Pablo Picasso

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As banhistas de Pablo Picasso

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Somente um genio como o mestre Pablo Picasso foi capaz de acentuar os opostos em harmonia poética: o volume exagerado nas formas e a leveza nos sentimentos.  As banhistas são graciosas e ao mesmo tempo monstruosas, suspensas num estado lírico de prazer pelo desfrutar da paisagem marítima. 

Essas pinturas foram apresentadas pela primeira vez no Museu Guggenheim, em Veneza, sob a curadoria de Luca Massimo Berbero, que tive o privilégio de visitar em 2017. ‘Picasso sulla Spiaggia'( Picasso na praia) reúne uma seleção dos desenhos e pinturas realizados de fevereiro a dezembro de 1937 pelo artistas e são, na verdade, testemunhos do interesse pelo tema banhistas que o artista repete ao longo de sua vida.

Ícone de Peggy Guggenheim

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Estudo da tela As Banhistas feito em 12 de fevereiro de 1937, parece estar enquadrado em uma janela em perspectiva.

Uma das obras ícones da coleção de Peggy Guggenheim (entre as mais famosas mecenas e colecionadora do século XX), foi apresentada nessa exposição 80 anos depois de sua realização em fevereiro de 1937.  As duas banhistas que estão distraídas em brincar com um barquinho são volumosas e graciosas ao mesmo tempo. O corpo delas se destaca quase como uma escultura tridimensional, inserida num ambiente bidimensional – praia/mar e céu.

“A composição se oferece como calma e relaxada, suspensa no mais sutil lirismo, mas ao mesmo tempo transmite um velado senso de ameaça, com o personagem que aparece no horizonte. Um sentido de impotente voyerismo sugerido ao personagem que observa as banhistas, com olhar exageradamente sensual, o que vem em mente o mito clássico de Diana no banho e a história bíblica de Suzana e os velhos.”

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Essa pintura foi realizada em fevereiro de 1937. A banhista se transforma numa grande escultura branco-acinzentada, com a pernas em posição de ioga, cabeça inclinada sobre o livro, apoiada pelos cotovelos.

“É um corpo maciço, enquadrado em si mesmo, uma figura que, em sua poderosa posição frontal, gira as costas ao horizonte marinho curvo e parece completamente absorvida na leitura. Mais uma vez é um ser humano impenetrável, imerso em um ambiente de calma e silêncio, com um rosto enigmático e pouco conhecedor. Picasso, no entanto, parece abandonar, pelo menos em parte, a delicadeza formal dos banhistas anteriores em favor de uma representação mais angular e de um estilo deliberadamente escultural.”

1937

É um ano fundamental para as obras de Picasso e para os eventos históricos que antecederam a segunda guerra mundial (1939-1945). O nazismo cresce na Europa e apoia a política franquista na Espanha.

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Picasso é afetado pelo clima dramático e, em janeiro de 1937, fez as gravuras ‘O sonho e a mentira de Franco’, que apresentam os grandes temas de Guernica, uma metáfora pictórica da guerra e da dor associada a ela.

As gravuras feitas um mês antes da criação das banhistas, realizadas num ano de grande tensão na Europa, fazem um contraponto ao estado de espírito do artista: as dores da guerra e a serenidade das mulheres à praia, mas com um intruso observando-os quase que maldosamente.

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

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