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Lágrimas de emoção fortalecem a nossa existência

Larmes d'or - Anne Marie Zylberman

Larmes d'or - Anne Marie Zylberman

Quem já chorou emocionada (o) ao assistir um filme ou expressou um sentimento de amor profundo pela chegada ou partida de alguém com lágrimas? Saiba que essas lágrimas de emoção temperam com uma pitada de ternura nossas doces lembranças e fortalecem a nossa existência aqui na terra. 

Chorar de emoção é maravilhoso e as pessoas deviam praticar esse exercício para não provocar “flacidez espiritual”(termo de Erwin Gröeger). Jamais conter a água que sai sem pedir licença pelos olhos para lubrificar nosso coração amoroso.

Chorar assim não envelhece renova nossas células

Já chorei tantas vezes, de tristeza, de alegria, mas muito mais de emoção. Em natais em família, em despedidas, em etapas vencidas … aquelas como formatura, casamento, nascimento, filmes de histórias fortes, tudo é motivo para deixar as lágrimas saírem à vontade.

 Se envelhece..  Não me importa. O motivo é muito justo e as marcas adquiridas em meu rosto, cada uma, têm histórias e ganhos de experiência e sabedoria.

Mãe não chore!

Numa ocasião especial, quando minhas filhas ainda eram pequenas, chorei tanto de emoção que elas assustadas pediam: “mãe não chore!” Eu respondia: “ Não se assustem, não estou triste”.

– Me deixem chorar! Não sabem o que é chorar de emoção, meninas?

É deixar que a nossa sensibilidade suba à superficie e se revele a nós.

Já perceberam que se contemos o choro parece que aquilo tudo que sufocamos dentro da gente  se transforma numa incômoda bola de “não sei o que” na garganta, e começa a subir e descer até conseguir se esconder em algum lugar desconhecido do nosso corpo,  endurecendo cada vez mais nossos músculos.

Creio que é assim que começamos a adoecer.

Nunca vou esquecer como chorei no casamento da minha primogênita. Nas outras já estava acostumada com a situação.  O choro foi descontrolado na metade do caminho enquanto entrava na igreja para início da cerimônia.

Exatamente no momento em que se entra com pompa até chegar no altar em que todos os amigos te observam. Um vexame ou uma emoção só para quem conhecia os fatos de minha vida. Choraram juntos comigo.

Só lembro que desabei em chorar e que num fragmento de segundos passou pela minha mente os desafios que passamos eu e minha filha até chegar ao ritual de passagem para uma outra etapa da vida dela. A cada lágrima desabalada que lavava o meu rosto (adeus maquiagem) uma história carregava: da mãe que ficou sozinha para criar três meninas.

Uma despedida

Outro momento emocionante que ainda me recordo foi em uma despedida depois de ter visitado uma amiga que estava vivendo na França.

Quando eu e minha amiga Sil nos abraçamos para nos despedir  não me contive as lágrimas. Elas começaram a descer pela minha face. Olhei sorrindo  para esta amiga de tantos anos, que também já estava com os olhos marejados de lágrimas…

A minha estada em Strasburgo, França, onde Silvane viveu por uns anos com seu marido francês,  Michel, foi um retorno aos bons momentos de amizade vividos ao longo de 30 anos. Minha amiga conseguiu romper barreiras culturais e conquistar o seu sonho de estudar no exterior, e mais…  com o destaque de isto acontecer na maturidade!

No percurso dessa jornada encontrou um novo companheiro e esse fato transformou o que era para ser de passagem para algo mais longo do previsto.

Portanto, naquele momento de despedida, as lágrimas de emoção traduziram sentimentos de saudades por saber que fisicamente não nos veríamos tão cedo, pela distância territorial e pelos momentos  que partilhamos juntas.

Água que transmuta a energia que carregamos dentro da gente

É, sem dúvida, belo, maravilhoso, transformar em água salgada toda a linguagem cifrada de nossos sentimentos e deixá-la fluir por esse líquido. A água bendita que transforma a energia, lágrima bendita, que pela qual percorre a gama de sentimentos em poucos segundos.

Chorar de emoção encanta e fortalece a nossa existência!

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma. Acredita nas palavras bem ditas ou 'benditas', ou seja, bem escritas, que educam, que seduzem pelos significados, pela emoção ao informar sobre a arte da vida que se manifesta nas relações afetivas, na criação artística, nos lugares, na natureza e na energia do Universo.

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