Ser criança e as lembranças de um tempo que fica para sempre

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Ser criança e as lembranças de um tempo que fica para sempre

Sugestão foto 1Texto Paula Braga
Estamos quase no fim do ano de 2017. O tempo sem dúvida corre e mesmo sendo importante pensarmos diariamente no cuidado das crianças, este é o mês em que se comemora o Dia das Crianças, então porque não falarmos um pouco sobre a infância?

Houve uma época em que não se dava tanta importância ao desenvolvimento dos pequenos. Eles eram vestidos com roupas de adultos e podiam trabalhar a partir do momento que isso fosse possível fisicamente.

Enfim, as crianças eram adultos em miniaturas. Mas isso mudou. 

Foram criadas leis para proteger os direitos delas e de tanto cuidado, há pais que infelizmente esqueceram de dar limites aos seus filhos.

Apesar de ser fundamental a liberdade para a criança se expressar, correr, brincar, rir e reclamar, também é uma condição ‘sine qua non’, ensinar o que é ter limites.

Não tenho como falar de crianças sem lembrar da minha infância.

Na minha vida tive a oportunidade e a felicidade de ter pessoas que me ensinaram ter respeito ao próximo. É muito interessante como temos lembranças de momentos marcantes das nossas vidas. Pensando nestes trechos, é incrível a sensação de que o tempo não passou.

Lembro claramente dos dias que desafiava meus pais, sendo teimosa. Recebia castigo e era repreendida firmemente por eles. Eu realmente queria ter poder em casa, mas não era possível. O meu lugar sempre foi de filha. De alguém que tinha direito e deveres dentro das horas em que meus pais achavam que era necessário.

Hoje, sendo adulta e uma profissional da área psi, penso que eles fizeram o melhor por mim, do jeito que entendiam ser o mais adequado. E sei que não seguiram manual algum, apenas fizeram isso com muito amor.


Lembro-me de uma situação marcante de meu aprendizado:

Um determinado dia em que aconteceria um eclipse lunar, eu tinha uns 10 anos e o céu estava ensolarado. Estávamos em Guarapuava, interior do Paraná, visitando meus primos, tio e tia…Parece que sinto o calor do sol refletindo no meu corpo, pois é uma lembrança muito gostosa…

Eu, minha irmã e minha prima, estávamos sentadas na pequena escada de 2 degraus que saia da porta da lavanderia. Meu pai estava agachado explicando para nós, com uma maçã e uma laranja, como era que acontecia o eclipse. Entre tantas coisas que aprendi com meus pais, este foi um dos dias que nunca esquecerei. Foi algo de muito carinho, expressado com sabedoria e delicadeza.

Enfim, queria contar isso apenas para dizer e poder ilustrar o quanto todos os fatos são marcantes na vida de uma criança.

Tudo que é falado é aprendido pela criança, mas todas as atitudes também são exemplos,  apreendidos na infância. 


Com toda certeza, não há como não dizer que as crianças são os futuros adultos e dificilmente serão diferentes daquilo que ensinaram à ela através do que é falado, mas também do que não é falado, daquilo que elas observam e sentem. 

Podemos melhorar na fase adulta, continuamos aprendendo até nossos últimos dias, mas a personalidade fica para todo sempre.

Desta forma, espero que possamos criar crianças saudáveis física e psiquicamente. E se não conseguirmos fazer isso sozinhos, precisamos procurar apoio de pessoas que nos dêem mais segurança nesta tarefa, ou de profissionais competentes para isso.

Afinal de contas, elas não vêm com manual de instruções e cada um é único, ou seja, não existe uma receita do que é o melhor para cada ser humano. E o que sabemos, é que é indispensável que tenhamos crianças felizes e com equilíbrio emocional para um amanhã melhor.

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Paula Braga
Paula Braga
Psicóloga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Formação permanente em Psicanálise pelo Fórum do Campo Lacaniano de Natal. Membro da Internacional dos Fóruns – Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - Fórum Natal. Atua como psicóloga e psicanalista, atendendo na clínica - crianças, adolescentes e adultos.

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